A dois dias do segundo turno, as pesquisas divulgadas neste fim de semana desenham um cenário apertado e politicamente relevante: Datafolha e Quaest colocam Flávio Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva por 51% a 49% dos votos válidos. Os levantamentos, realizados entre 23 e 24 de outubro, têm margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, o que mantém o confronto tecnicamente empatado, mas também confirma uma mudança em relação à véspera do pleito de 2022, quando Lula liderava com 52% contra 48%.
O Datafolha, que pela primeira vez publicou números com propensão ao voto, ajustou as intenções levando em conta a distância até o local de votação e a autodeclaração de comparecimento no primeiro turno. No grupo com maior propensão a votar — 76% do eleitorado segundo o instituto — Flávio sobe para 52% contra 48% de Lula. A Quaest, encomendada por Globo e O Globo, apontou resultado muito semelhante aos 51% a 49% em votos válidos. Ambos os levantamentos reiteram que votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos, portanto refletem apenas eleitores que declaram opção concreta.
A leitura política desses números é direta: a liderança de Flávio, ainda que frágil, altera a dinâmica da campanha e amplia a pressão sobre Lula e sua coalizão. Em vez de administrar uma vantagem, a campanha petista terá de intensificar esforços para garantir comparecimento e desconstruir a narrativa de transferência de votos do bolsonarismo institucional e do eleitorado que rejeitava o presidente em 2022. Para o campo de Flávio, o desafio é converter essa margem estreita em votos reais no domingo, mantendo a base mobilizada e evitando a complacência que pode inverter o quadro em seis pontos percentuais — faixa compatível com a margem de erro.
Historicamente, pesquisas na véspera do segundo turno deram sinais distintos: em 2018, Bolsonaro aparecia confortavelmente à frente (cerca de 54–55% dos votos válidos nos principais institutos) e confirmou a vantagem nas urnas; em 2022, Lula começou o segundo turno em vantagem, embora o placar final tenha sido mais apertado que as sondagens. O recado para 2026 é que o levantamento de intenção é um retrato do momento, não uma sentença. Ainda assim, os números de hoje acendem alerta para ambos os lados: para o governo em acúmulo de desgaste e para a oposição governista na necessidade de consolidar apoio e comparecimento, com consequências práticas para estratégia de rua, mensagens e operação de mobilização.