Péter Magyar, 45 anos, deixou o Fidesz e se transformou na maior ameaça ao domínio de Viktor Orbán, que dura desde 2010. Ex-membro da máquina do partido, com trajetória dentro da estrutura e casamento com a então ministra Judit Varga, Magyar converteu o distanciamento em capital político depois do escândalo do perdão presidencial que levou à renúncia de figuras centrais do governo.

Sua campanha, resumida no slogan 'Agora', foi construída na rua: mais de 100 eventos, visitas a 106 distritos e até uma marcha de 300 km desde Budapeste até a fronteira com a Romênia. Em um país de 9,6 milhões, cerca de um milhão de pessoas assistiram à sua apresentação no canal pró-oposição Partizán — marco da sua saída pública do Fidesz e prova do apelo que conquistou entre eleitores rurais tradicionalmente alinhados ao premiê.

Magyar aposta na promessa de combate à corrupção, melhoria econômica e inclusão da comunidade roma, além de destravar bilhões de euros retidos pela União Europeia por preocupações com o estado de direito. Orbán tenta desgastá-lo descrevendo-o como 'marionete' da UE e da Ucrânia; em resposta, Magyar evita aproximação ostensiva com Bruxelas e enfatiza uma narrativa de paz e reconciliação nacional.

Pesquisas recentes apontam que ele pode derrotar Orbán nas urnas, o que colocaria fim a 16 anos de governo e reabriria o fluxo de fundos europeus à Hungria — com impacto direto na economia e na posição do país na UE. Se confirmar a expectativa, a vitória de Magyar seria sinal de esgotamento da hegemonia do Fidesz e um alerta para governos consolidados sobre o custo político de escândalos e de erosão institucional.