O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, publicou nesta quarta-feira (1º) uma longa carta em inglês dirigida “ao povo dos Estados Unidos da América” e a “aqueles que continuam a buscar a verdade”. Postada na rede X, a mensagem busca dissociar a população americana das políticas externas norte-americanas e afirmar que o povo iraniano não nutre inimizade contra outros povos.
No documento, Pezeshkian enumera episódios do passado que, segundo ele, explicam a desconfiança iraniana: a derrubada do primeiro‑ministro Mohammad Mossadegh em 1953 (Operação Ajax), o apoio americano ao xá, o respaldo a Saddam Hussein durante a guerra dos anos 1980, as amplas sanções e, mais recentemente, agressões militares que teriam ocorrido mesmo durante negociações. O tom é de reparação histórica e de contestação das narrativas predominantes.
O povo iraniano separa claramente a conduta de seus governantes da relação com outros povos.
O presidente destaca ainda avanços sociais e tecnológicos no Irã após a Revolução Islâmica — alfabetização, ensino superior, saúde e infraestrutura — e alerta para os efeitos destrutivos das sanções e dos bombardeios sobre a vida cotidiana do povo. Ao mesmo tempo, descreve o fortalecimento militar iraniano como resposta à presença de bases e forças americanas na região e como medida de legítima defesa.
Do ponto de vista político, a carta tem claro objetivo comunicativo: tentar influenciar a opinião pública dos EUA, separar civis das decisões governamentais e questionar se os interesses do povo norte-americano são atendidos pela atual escalada. É uma tentativa de reposicionar Teerã no debate internacional e de minar a narrativa que apresenta o Irã como agressor unilateral.
A iniciativa chega em momento sensível: Donald Trump fará um pronunciamento sobre a guerra ainda nesta noite. A repercussão em Washington e entre aliados poderá definir se a resposta americana será calcada em retórica, pressão diplomática ou nova ação concreta. A carta de Pezeshkian, ao ressaltar feridas históricas, complica o terreno político e amplia o debate sobre alternativas à escalada bélica.
As medidas do Irã são apresentadas pelo presidente como resposta de defesa legítima, não como iniciativa de agressão.