Documentos que integram um dos inquéritos relacionados ao Banco Master e tornados públicos por decisão do Supremo Tribunal Federal mostram detalhes do orçamento previsto para o filme Dark Horse. A planilha aponta duas parcelas de US$ 2 milhões cada listadas como 'talento principal', o que levou investigadores a estimar um cachê total de US$ 4 milhões para o ator apontado como protagonista.

A planilha é parte de material entregue à Polícia Federal após decisão do ministro André Mendonça, com a abertura dos autos determinada pelo presidente do STF a pedido da Procuradoria‑Geral da República. Como o documento registra valores orçados, a PF ressalta que não é possível afirmar apenas por ele se os pagamentos foram efetivados; por outro lado, registros do Coaf indicam que pelo menos US$ 12,3 milhões dos US$ 24 milhões solicitados por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro foram efetivamente transferidos.

Fontes da indústria ouvidas pela BBC e relatadas no inquérito consideram o valor fora dos padrões do mercado audiovisual, ainda que haja comparações pontuais no exterior — Joaquin Phoenix recebeu US$ 4,5 milhões por Coringa, e em outro caso Robert Downey Jr. teve cachê similar em Oppenheimer. O diretor do filme sustentou que reportagens equivocaram a comparação ao misturar produção e marketing, mas a planilha em poder da PF não traz linha específica de despesas de distribuição e divulgação, argumento que reforça o pedido de aprofundamento das apurações.

Além da dimensão técnica, o episódio tem potencial político e institucional: a conexão entre pedidos de recursos vinculados a um senador da República e transferências identificadas pelo Coaf intensifica o escrutínio sobre origem e compatibilidade econômica da operação. Autoridades tratam os números como retrato momentâneo que justifica investigação — não como prova de ilicitude —, mas o desgaste reputacional e a necessidade de respostas públicas tornam o caso sensível para os envolvidos.