Os preços do gás na Europa registraram uma queda abrupta nesta terça-feira (7), acompanhando a forte desvalorização do petróleo depois que Estados Unidos e Irã anunciaram a abertura de negociações para um cessar‑fogo e concordaram em reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz. No primeiro movimento do dia, o contrato de referência TTF caiu cerca de 19,2%, trazendo alívio imediato aos mercados de energia do continente.

No óleo cru, a queda também foi significativa: o WTI para maio chegou a recuar mais de 14% e o Brent para junho teve perdas superiores a 13%, levando os contratos para patamares próximos a US$ 95. O movimento reflete a percepção de mercado de que a passagem pelo Estreito — por onde transitam cerca de 20% do petróleo mundial — poderá ser normalizada, reduzindo o risco de interrupção no fornecimento.

Investidores querem o Estreito de Ormuz aberto.

O reflexo nos preços ao consumidor, no entanto, deve ocorrer de modo gradual. Analistas consultados enfatizam que, embora a normalização do tráfego seja condição necessária para baixar os custos, há dúvidas sobre a implementação efetiva do desbloqueio e sobre se o cessar‑fogo se transformará em um acordo duradouro. Em outras palavras: a pressão de curto prazo diminui, mas a incerteza geopolítica ainda pode trazer volatilidade.

Além das commodities, outros mercados reagiram: o dólar perdeu mais de 1% frente à libra esterlina e as bolsas asiáticas registraram altas, prenunciando um dia de recuperação nas praças europeias. Para investidores, a mensagem foi clara: estabilidade no Estreito de Ormuz é condição central para retirar o prêmio de risco que vinha comprimindo oferta e elevando preços desde o início das hostilidades.

Do ponto de vista político e econômico, a notícia representa um alívio bem‑vind o, mas não encerra o custo institucional e humano do conflito. A recuperação plena do fornecimento — estimada pelos números que chegaram a apontar um choque entre 12 e 15 milhões de barris por dia — depende de passos concretos nas negociações. Se confirmada, a reabertura reduzirá pressões inflacionárias; caso contrário, mercados e consumidores continuam vulneráveis a novas turbulências.

Os efeitos nos preços não serão imediatos.