Os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping se reuniram em Bishkek na segunda-feira, um dia antes da cúpula do Conselho de Chefes de Estado da Organização de Cooperação de Xangai (OCX). O encontro, marcado pela retórica de proximidade, ocorre em momento de crescente tensão internacional — especialmente com os Estados Unidos sob o governo de Donald Trump — e serve para alinhar posições antes das discussões multilaterais previstas para a terça-feira.
Segundo autoridades russas, a agenda bilateral enfatizou cooperação em energia, indústria, transporte, logística, exploração espacial e tecnologia, com menções expressas à inteligência artificial. Putin destacou também avanços práticos, como a primeira rota regular de um navio porta-contêineres chinês pela Rota Marítima do Norte e o crescimento de 34% nas entregas mútuas de produtos agrícolas. Foi citada ainda a intenção de transformar o regime de isenção de vistos em um acordo permanente.
A OCX, que completará 25 anos em 2026, foi criada por China, Rússia e países da Ásia Central com foco inicial em segurança. Hoje reúne dez integrantes e ampliou a agenda para comércio, energia e tecnologia. A cúpula em Bishkek reúne líderes como Narendra Modi (Índia), Masoud Pezeshkian (Irã) e Shehbaz Sharif (Paquistão), além de convidados como o secretário-geral da ONU, António Guterres — um formato que reforça o caráter de fórum da organização, e não de aliança militar.
O encontro bilateral, ainda que não anuncie tratados militares, tem efeitos políticos e econômicos concretos: sinaliza um aprofundamento da interdependência sino-russa que pode reduzir a margem de manobra ocidental em sanções e cadeias de suprimento. Para Washington, o alinhamento acende um alerta diplomático; para os demais membros da OCX, aumenta a necessidade de calibrar relações entre soberania, cooperação econômica e equilíbrio geopolítico. A cúpula deverá testar agora a capacidade prática do bloco em transformar declarações em projetos e acordos.