Um avião de transporte militar C-130 caiu durante a decolagem em Puerto Leguízamo, na fronteira com o Peru, deixando 66 mortos e dezenas de feridos. A aeronave transportava 128 pessoas — entre elas 115 militares do Exército, 11 membros da Força Aérea e dois policiais —, segundo balanço oficial. O episódio, além da tragédia humana, reacende questionamentos sobre a frota, a manutenção e a coordenação logística das Forças Armadas colombianas.

Relatos e imagens dos primeiros instantes após o acidente mostram que moradores da região remota foram os primeiros a socorrer sobreviventes, conduzindo soldados feridos em motocicletas por estradas de terra até pontos de apoio. Autoridades admitiram que o local é de difícil acesso e que veículos militares só conseguiram chegar depois, o que limitou as ações iniciais de resgate e complicou o transporte de vítimas para hospitais próximos.

O presidente afirmou que não aceitará mais atrasos administrativos que coloquem em risco vidas e que responsáveis que não estejam à altura devem ser removidos.

Bombeiros e fontes locais disseram que a aeronave pegou fogo ao cair e que houve explosões associadas a cargas a bordo, com uma das asas atingindo uma árvore ao final da pista. Essas informações, por ora, são preliminares e serão cruzadas pela investigação técnica. A empresa fabricante, Lockheed Martin, divulgou condolências e manifestou disposição para colaborar, como ocorre em acidentes com aeronaves de projeto antigo e operadas há décadas.

O acidente ocorre no momento em que o governo do presidente Gustavo Petro tenta acelerar um processo de modernização das Forças Armadas, enfrentando entraves administrativos que o próprio chefe do Executivo criticou. No X, Petro afirmou que não aceitará mais atrasos e que funcionários civis ou militares que não demonstrem capacidade para o desafio devem ser substituídos. A declaração intensifica a pressão política sobre comandantes e gestores do setor de defesa.

Do ponto de vista operacional, a queda coloca luz sobre um dilema conhecido: muitos C-130 em serviço no continente têm décadas de uso, com modernizações e transferências de estoques americanas reguladas por legislação específica. Isso não significa, por si só, que a causa seja mecânica, mas aumenta a necessidade de transparência na manutenção, inspeções e cadeia de comando que autoriza voos com grandes contingentes militares a bordo.

O comandante das Forças Armadas prometeu conduzir a apuração com responsabilidade, humanidade e transparência no atendimento às vítimas e na investigação.

Há ainda um impacto eleitoral e institucional imediato. Com a eleição presidencial marcada para 31 de maio, candidatos e opositores já reagiram, cobrando investigação e responsabilizações. Para as Forças Armadas, o episódio pode acelerar auditorias internas, decisões sobre aposentadorias de aeronaves e revisar protocolos de transporte de tropa, além de custear tratamentos e indenizações que pressionarão orçamento já comprometido por outras prioridades.

A comparação com outro acidente recente envolvendo um C-130 — no final de fevereiro, na Bolívia — alimenta o debate regional sobre segurança aérea militar e salvaguardas para operações em áreas densamente povoadas ou de difícil acesso. A investigação que se inicia na Colômbia precisará responder com rapidez e transparência para evitar que a tragédia seja explorada politicamente sem que fatos e responsabilidades sejam claramente estabelecidos.