Perfis no Facebook e no Instagram que ajudaram a difundir a travessia massiva de julho entre Marrocos e Ceuta voltaram a publicar convocações para uma nova tentativa, apontou uma apuração da BBC News Árabe. Grupos com dezenas de milhares de membros chegaram a postar anúncios de equipamentos para travessia e mensagens com informações incorretas sobre regras de imigração — entre elas a alegação falsa de que milhares teriam garantido o direito de permanecer na Espanha.

A circulação dessas mensagens reacende o risco de confrontos e perdas humanas: em 30 e 31 de julho, cerca de 72 mil pessoas entraram em Ceuta por mar e pela cerca e cerca de 100 morreram na operação. A reportagem identificou dezenas de grupos que vinham, há meses, orientando como cruzar a fronteira e, após o episódio de julho, continuaram a alimentar a mobilização, inclusive anunciando equipamentos aquáticos à venda.

A Meta informou ter removido vários grupos e perfis depois que a BBC enviou à empresa uma lista de páginas que incentivavam novas travessias — alguns foram retirados duas horas após o alerta. Organizações locais de defesa dos migrantes, no lado marroquino, disseram que a remoção pontual não basta e pedem moderação mais rigorosa por parte das plataformas, diante do alcance e da capacidade de mobilização desses espaços.

Tanto o Ministério do Interior da Espanha quanto autoridades marroquinas dizem monitorar a situação; o governo espanhol afirmou que coordenará recursos para qualquer eventualidade, e as autoridades marroquinas não responderam ao pedido de comentário da BBC. A repetição desse ciclo de desinformação expõe falhas na governança digital e pressiona plataformas e Estados a atuar preventivamente para evitar novo episódio com custo humano e institucional.