Assunção (PY) — O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña prestou depoimento ao Ministério Público neste sábado, um dia depois de ser destituído por impeachment e colocado em prisão domiciliar na sexta-feira (6). A medida ocorre no contexto da crise desencadeada pelo colapso da empresa de empréstimos digitais Ueno.

Os promotores informaram que as acusações contra Peña ainda estão sendo definidas e podem incluir tráfico de influência. Parlamentares que endossaram o processo acusaram o ex-chefe do Executivo de conflito de interesses, manipulação da supervisão regulatória e participação em um suposto encobrimento envolvendo o banco central.

Peña foi acionista da holding ligada à Ueno até março de 2025. Ele negou irregularidades e sustentou que os problemas da instituição têm natureza regulatória. O colapso da Ueno deixou milhões de clientes com dificuldades para acessar contas e gerou protestos em Assunção; o escândalo também atinge altos funcionários e ex-executivos da empresa.

A destituição levou o vice-presidente Pedro Alliana, integrante histórico do Partido Colorado, a assumir a Presidência para concluir o mandato que se estenderia até agosto de 2028. Enquanto isso, órgãos reguladores tentam tranquilizar depositantes e limitar riscos ao sistema financeiro.