As delegações do Irã e dos Estados Unidos encerraram em impasse 21 horas de negociações em Islamabad. O vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que os iranianos recusaram os termos exigidos pelos EUA, sobretudo garantias de que Teerã não desenvolveria rápida capacidade para uma arma nuclear — objetivo central da administração americana nas conversas.

Do lado iraniano, o chefe da delegação e presidente do Parlamento, Mohammad‑Bagher Ghalibaf, disse haver boa vontade para dialogar, mas ressaltou que desconfiança e memórias de ofensivas anteriores por EUA e Israel inviabilizaram um compromisso. Teerã reafirmou seu direito a um programa nuclear com fins pacíficos e negou intenção de construir bomba atômica.

Em reação, o presidente Donald Trump anunciou que a Marinha dos EUA impedirá a passagem no Estreito de Ormuz, ordenará interceptações de embarcações que pagaram 'pedágio' ao Irã e destruirá minas colocadas na região. O Estreito, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, já vinha parcialmente fechado por iniciativa iraniana após confrontos em fevereiro, o que eleva a tensão e o risco de escalada militar.

O fracasso das negociações tem implicações claras: além de pressionar para uma resposta militar imediata, a decisão americana pode provocar aumento de prêmios de risco no transporte marítimo, elevação do preço do petróleo e ação coordenada (ou atrito) entre aliados. No plano político interno, a escalada expõe dificuldades diplomáticas para garantir resultados sem recorrer à força, o que pode custar em termos econômicos e de legitimidade internacional.