O surto de ebola iniciado em meados de maio já deixou 1.001 mortos entre a República Democrática do Congo (RDC) e Uganda, segundo os últimos balanços oficiais. Na RDC foram registradas 999 mortes em 2.473 casos confirmados; em Uganda, são duas mortes em 20 casos positivos, associados ao vírus Bundibugyo — para o qual ainda não existe vacina aprovada.

O epicentro é a província de Ituri, no Nordeste do Congo, que registra cerca de 89,1% das infecções e 83,9% das mortes relacionadas ao surto. A presença de bolsas de violência e o fato de parte do território, especialmente nos Kivus, permanecer sob influência de grupos armados como o M23 tornam mais difícil o acesso de equipes de saúde, vacinas e suprimentos às áreas mais afetadas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que, desde julho, está em curso um ensaio clínico com dois tratamentos para este tipo raro de ebola e autorizou um primeiro teste molecular para diagnóstico. A Universidade de Oxford lidera um estudo sobre a segurança da vacina ChAdOx1. Em Uganda, as autoridades declararam que não há registro de novos casos ativos na semana passada, mas só poderão encerrar o surto após um mês sem casos positivos.

O contexto agrava riscos humanitários: desde 2018 a 2020 a RDC viveu o pior surto recente, com cerca de 2,3 mil mortes e 3,5 mil casos, e os sistemas locais seguem pressionados. Organizações como Save the Children relatam que pelo menos 189 crianças morreram e cerca de 476 contraíram a doença desde maio, com mais de 4 mil recebendo apoio psicossocial. A situação exige coordenação internacional, ampliação da vigilância transfronteiriça e capacidade de atuação em zonas de conflito para evitar nova escalada.