O Irã lançou mísseis e drones contra instalações militares americanas no Kuwait e no Bahrein na madrugada de domingo, em resposta a ataques recentes que as forças dos EUA dizem ter realizado contra alvos iranianos. Autoridades do Kuwait relatam ter interceptado mísseis balísticos; no Bahrein, sirenes soaram e um prédio residencial foi danificado, sem registro de vítimas. Uma autoridade americana disse que não havia indicações imediatas de baixas entre tropas dos EUA.
Os confrontos ocorreram depois de uma nova ofensiva americana atribuída a instalações iranianas, efetivada horas após um navio‑tanque ter sido atacado no Estreito de Ormuz. O episódio põe em xeque um acordo provisório de 14 pontos que visava suspender hostilidades e reabrir a rota marítima — um pacto negociado recentemente na Suíça, quando Washington chegou a suspender sanções contra Teerã. Desde então, entretanto, as trocas de ataques se intensificaram. Israel também informou ter atacado posições do Hezbollah no Líbano, um dia após concordar com um cessar‑fogo local.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que as operações visavam instalações americanas na região e advertiu que as bases poderão enfrentar retaliações nos próximos dias. Do lado americano, o Comando Central declarou que seus ataques miraram capacidades iranianas de vigilância, comunicações, defesa aérea, armazenamento de drones e lançamento de minas — medidas apresentadas como resposta à ameaça ao transporte marítimo comercial. O estreito segue sendo a rota de energia mais importante do mundo, e a reabertura plena da navegação permanece incerta.
Além do risco militar, o novo ciclo de violência tem custo político e econômico concreto: expõe a fragilidade de um acordo provisório que já vinha sendo testado, amplia o desgaste sobre a condução da crise por Washington e eleva a probabilidade de perturbações no mercado de energia. A sequência de ações e respostas evidencia a ausência de um caminho claro para estabilizar a região: sem negociações sustentadas e garantias verificáveis, o custo para governos, empresas e populações locais tende a subir — e a margem para erro militar ou político diminui.