A Tetris informou nesta sexta-feira que não participou da criação nem licenciou a identidade visual do clássico para o jogo Build the Wall, disponibilizado na quinta no site oficial da Casa Branca. Em comunicado à AFP, a empresa declarou que está analisando o uso de sua propriedade intelectual. O jogo, que instrui o jogador a "proteger a fronteira da horda que se aproxima", retrata migrantes de forma caricata e gerou imediata reação crítica.
Imagens e materiais promocionais do governo lembraram produções de estúdios como Tetris, Sega e até referências a títulos populares, segundo observadores. A Tetris ressaltou nas redes sociais que trata com seriedade possíveis violações de direitos autorais. A Microsoft e a Sega não responderam de imediato a pedidos de comentário. A Casa Branca disse que busca maneiras de divulgar realizações do presidente e que o material seria uma forma de se conectar com o público.
Além do risco jurídico por uso não autorizado de marcas e formatos, a iniciativa expôs um custo político: transformar a política migratória em um jogo que descreve pessoas como uma "horda" tende a reforçar acusações de tom racista e a mobilizar críticas de organizações de direitos humanos e grupos locais afetados. Ativistas consultados pela AFP qualificaram o produto como insensível e levantaram preocupação sobre a trivialização de vidas humanas para fins de comunicação governamental.
Para o Palácio, a peça seria uma ação de comunicação; para adversários e observadores independentes, representa uma contradição na tentativa de profissionalizar a mensagem pública. A expectativa agora é que a Casa Branca avalie retirar ou modificar o conteúdo enquanto a Tetris conclui sua análise — um desfecho que pode forçar ajustes imediatos na estratégia digital do governo e aumentar o desgaste político em torno do tema da imigração.