O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz manteve‑se praticamente paralisado nesta segunda‑feira, com apenas três travessias registradas nas últimas 12 horas, segundo dados de navegação. A análise por satélite da empresa SynMax e o rastreamento da plataforma Kpler mostram que o petroleiro Nero — alvo de sanções do Reino Unido — deixou o Golfo e navegava pelo estreito. Os registros também indicam duas outras entradas separadas na rota: um navio‑tanque de produtos químicos e outro de gás liquefeito de petróleo.

A situação se agrava no plano diplomático. O cessar‑fogo entre Estados Unidos e Irã sofreu novo abalo depois que os EUA afirmaram ter apreendido um navio de carga iraniano que tentava furar o bloqueio, e Teerã prometeu retaliar, recusando‑se, por ora, a participar de novas negociações de paz. O porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que Washington demonstrou não levar o processo diplomático a sério e manteve exigências que, segundo ele, não serão alteradas.

Fontes citadas pela imprensa destacaram ainda que a continuação do bloqueio americano aos portos iranianos mina a perspectiva de um acordo, e que certas capacidades defensivas de Teerã — incluindo o programa de mísseis — não estão em pauta para negociação. O Paquistão tentava mediar o início de conversas previstas para Islamabad antes do fim do cessar‑fogo de duas semanas; segundo uma fonte de segurança paquistanesa, o marechal Asim Munir alertou o presidente dos EUA, Donald Trump, de que o bloqueio era um obstáculo, e Trump disse que consideraria o conselho.

Além do risco político e militar, a paralisação no Estreito de Ormuz tem consequências práticas: trata‑se de uma rota vital para o comércio e para o escoamento de combustíveis. A redução do tráfego eleva o custo logístico, pressiona prazos e seguros e acende um sinal de alerta para operadores e governos que dependem dessas rotas. No plano estratégico, a apreensão e a recusa iraniana em flexibilizar demandas complicam a narrativa dos negociadores e aumentam a probabilidade de medidas de contenção mais duras ou respostas escalonadas nas próximas semanas.