O presidente Donald Trump anunciou nas redes sociais um ultimato de 48 horas ao Irã para fechar um acordo que ponha fim ao conflito, repetindo ameaças de ataques mais amplos caso as exigências não sejam atendidas. A mensagem acirra a retórica após semanas de operações militares que já derrubaram dois aviões americanos sobre o Irã e o Golfo Pérsico.

No terreno, forças americanas e iranianas continuam a busca por um piloto norte-americano desaparecido após a queda de um dos jatos. Autoridades informaram que um tripulante foi resgatado, mas a possibilidade de haver um militar dos EUA ainda no interior iraniano complica a resposta de Washington e aumenta o risco de medidas de retaliação.

O tempo está se esgotando: 48 horas antes de intensificarmos os ataques se não houver acordo, escreveu o presidente americano em sua plataforma.

Teerã, por ora, manteve tom desafiante. O ministro das Relações Exteriores deixou em aberto a negociação via mediação do Paquistão, mas condicionou qualquer conversa a termos que encerrem definitivamente a guerra ilegal, sem indicar flexibilidade frente às demandas americanas. No campo, o Irã intensificou ataques com drones e mísseis contra alvos em Israel e países do Golfo.

Além do impacto humano — com milhares de mortos segundo relatos — a guerra provocou choque energético ao praticamente fechar o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do GNL global. A estratégia militar também já atingiu instalações industriais e logísticas na região, com alegações de ataques a infraestruturas ligadas a EUA e aliados.

Em um movimento que pressiona ainda mais Teerã, Israel afirmou estar pronto para atingir usinas de energia iranianas, aguardando o aval americano. A interdependência das ações eleva a incerteza: um prazo tão curto como o estipulado por Trump reduz margem para negociações e pode transformar ameaças políticas em decisões militares precipitadas.

Estamos dispostos a ir a Islamabad para conversar, mas só aceitaremos termos que resultem em um fim duradouro para a guerra, afirmou o chanceler iraniano.

O cenário — retórica dura, prazos curtos e presença de forças em oposição direta — amplia riscos geopolíticos e econômicos. Para Washington, o ultimato é tentativa de recuperar iniciativa; para Teerã, é sinal para resistir. No meio, civis e mercados já pagam o preço de uma escalada que ainda não mostra caminho claro para a paz.