O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu o fracasso das negociações com o Irã à recusa iraniana em “abrir mão de suas ambições nucleares”. A declaração foi feita em uma publicação na manhã deste domingo, ao relatar o fim de uma longa rodada de conversas realizadas em Islamabad, que durou quase 20 horas e terminou sem consenso.
Na mensagem, Trump enfatizou que a questão nuclear se sobrepôs a todos os demais pontos discutidos e repetiu sua afirmação de que “o Irã nunca terá uma arma nuclear”. Ele também criticou o comportamento iraniano no Estreito de Ormuz e disse que leis foram violadas, ao mesmo tempo em que informou que recebeu relatórios do vice-presidente JD Vance e dos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner sobre o andamento das tratativas. Autoridades paquistanesas, incluindo o primeiro‑ministro Shehbaz Sharif, teriam apoiado a condução das conversas.
O impasse levou à retirada completa da equipe americana do Paquistão e deixa as negociações em compasso de espera. O diagnóstico público de Washington — centrar a culpa apenas na posição iraniana — reduz espaços para mediação imediata e tende a intensificar a retórica de confronto, com risco de repercussões na estabilidade do Golfo e na segurança do tráfego em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.
Politicamente, a declaração busca projetar firmeza, mas também expõe limites da diplomacia americana na etapa atual: sem avanços negociados, restam opções mais duras ou a tentativa de novas mediações multilaterais, ambas com custo político e diplomático. Até que haja nova iniciativa concreta, o episódio marca um revés nas tentativas recentes de reaproximação entre as partes.