O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que se reuniria na Sala de Situação para tomar uma “decisão definitiva” sobre um possível acordo com o Irã, encerrando uma reunião sem anunciar resolução final. A declaração ocorre em meio a relatos de que negociações avançaram nos últimos dias, mas encontrou resistência imediata em Teerã, que negou haver um acordo fechado.
Trump descreveu termos que incluiriam a retirada de minas e o fim do bloqueio no Estreito de Ormuz, a suspensão do bloqueio americano aos portos iranianos e a coordenação para retirada e destruição de urânio enriquecido — além de assegurar que “nenhum dinheiro será trocado, até novo aviso”. A versão iraniana, contudo, contestou pontos essenciais: a agência Fars citou fontes que exigem a liberação imediata de US$12 bilhões em ativos congelados e disse que cláusulas sobre Ormuz e destruição de material nuclear “não constam” do texto apontado por Washington.
Autoridades iranianas também minimizaram as conversas nucleares em curso. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou que “não foi alcançado nenhum acordo final”, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, destacou ceticismo em relação a garantias verbais, lembrando que o país baseia-se em fatos — e na força — para negociar. Do lado americano, o vice-presidente JD Vance declarou que houve “muitos avanços”, mas a divergência pública entre as partes mostra que a iniciativa diplomática ainda não resolveu impasses centrais.
A contraditoriedade entre anúncios e desmentidos acende alerta sobre a fragilidade do processo: afirmações prematuras corroem credibilidade e complicam a gestão política do eventual acordo. No terreno, a continuação de operações militares, como a ofensiva israelense no Líbano apesar de cessar-fogo declarado, reforça o risco de que qualquer compromisso frágil não traga paz imediata. A chave seguirá sendo a tradução de compromissos em ações verificáveis; sem isso, a diplomacia fica exposta a desgaste, riscos econômicos e prolongamento da instabilidade regional.