O presidente dos EUA voltou a afirmar, em postagem na rede Truth Social, que a Groenlândia verá em breve uma “exploração em larga escala” de petróleo, gás e minerais. A declaração reacende uma disputa antiga: a ilha, administrada pela Dinamarca com autonomia interna, proibiu novas perfurações e restringiu atividades mineradoras, o que contrasta com a narrativa do governo americano sobre ganhos imminentes.
Em setembro, Estados Unidos, Dinamarca e autoridades groenlandesas selaram um acordo que permite reforço da presença militar norte-americana no território — incluindo novas bases —, mas explicitamente não transferiu direitos de exploração mineral ou de perfuração. O gabinete do primeiro‑ministro da Groenlândia e ministérios envolvidos não comentaram imediatamente as postagens de Trump.
Há, porém, empresas que dizem ter histórico ou planos de sondagem. A Greenland Energy, do Texas, tem interesse em perfurar áreas ainda pouco exploradas e aguarda análise sobre licenças anteriores à proibição de 2021, que vetou urânio e futuras buscas por petróleo. Especialistas independentes interpretam os anúncios presidenciais como sinal de que o interesse estratégico americano na ilha permanece forte e potencialmente conflituoso.
Politicamente, a declaração expõe contradição entre discurso e realidade jurídica: o acordo de segurança ampliou o papel americano no Ártico sem conceder direitos de extração, e a insistência em anunciar grandes reservas pode acender alerta diplomático. Para a Groenlândia e a Dinamarca, a situação reforça pressão sobre soberania e autodeterminação; para os EUA, complica a narrativa oficial ao misturar interesses militares e econômicos num teatro sensível do Ártico.