O presidente Donald Trump afirmou, em publicação na plataforma Truth Social, que os Estados Unidos e Israel concordaram em adiar novos ataques contra o Irã, desde que um acordo seja firmado rapidamente para encerrar a guerra no Oriente Médio. Trump reiterou que os EUA estavam "prontos" para uma ação de grande escala, condicionando o cancelamento a exigências como a reabertura imediata do Estreito de Ormuz e o fim da suposta ameaça nuclear iraniana, e disse que Israel compartilha do compromisso.
A versão oficial iraniana, contudo, desmentiu o anúncio. A agência Mehr classificou a declaração como "mais uma mentira" e afirmou que as Forças Armadas do Irã permanecem em "alerta máximo e prontas para qualquer eventualidade". Outra agência, Fars, citou fontes ligadas às negociações dizendo que, enquanto os EUA mantiverem ações hostis, o controle do Estreito de Ormuz por Teerã deve continuar — uma sinalização clara de que a retórica de Washington não alterou a postura prática de Teerã.
O episódio ocorreu após conversas de Trump com o príncipe-herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, e contatos de Teerã com Riade, Paquistão e Turquia, em tentativas de reduzir o risco de uma escalada. A SPA, agência oficial saudita, ressaltou a prioridade do diálogo e a busca por uma trégua. O contexto é tenso: um cessar-fogo anterior fracassou, o Irã reforçou o controle sobre a rota marítima e os ataques entre os dois países voltaram nas últimas semanas, pressionando os preços do petróleo.
Além das consequências geoestratégicas e econômicas, a disputa tem reflexo político doméstico nos EUA: acontece a três meses das eleições de meio de mandato, quando a narrativa de segurança externa pode influenciar o cenário legislativo. Embaixadas americanas na região chegaram a orientar cidadãos a considerar deixar áreas de risco, enquanto a incerteza entre declarações contraditórias evidencia que, por ora, não há garantia de desescalada — apenas um jogo diplomático que segue vulnerável a novos choques.