O presidente dos EUA intensificou o tom contra Teerã ao afirmar, em entrevista por telefone a veículo norte-americano, que o Irã deveria aceitar a rendição para pôr fim ao conflito com os EUA. Na mesma conversa, ele acrescentou que, se Omã tentar intervir nas negociações, os Estados Unidos responderiam com ataques — uma ameaça que pode minar canais diplomáticos abertos para reduzir a tensão.

Em junho, um memorando provisório havia declarado o cessar imediato das operações militares em várias frentes e fixado prazo de 60 dias para negociar um acordo definitivo. O entendimento se desfez nas semanas seguintes: o presidente disse publicamente que o acordo estava encerrado no começo de julho, e o Ministério das Relações Exteriores iraniano qualificou a carta como suspensa uma semana depois. Esta segunda-feira completou o prazo de dois meses estabelecido no documento.

Enquanto isso, Omã vinha atuando como interlocutor entre Irã e mediadores para restaurar o tráfego no Estreito de Ormuz — rota pela qual passava cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito mundial antes do início das hostilidades. A ameaça direta a Omã pode inviabilizar essa via de negociação, pressionar ainda mais os preços dos combustíveis e ampliar o custo político da operação para a administração americana às vésperas das eleições de meio de mandato.

Trump afirmou que os pleitos eleitorais não moldam sua estratégia e repetiu, em postagem na sua plataforma, que impedir o Irã de obter uma arma nuclear é prioridade. Ainda assim, a retórica beligerante expõe um dilema prático: a escalada verbal pode dar sinais de autoridade para parte do eleitorado, mas também complica alternativas diplomáticas, aumenta o impacto econômico imediato sobre consumidores e reforça desgaste político em um momento de sensibilidade institucional.