A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nas redes sociais um acordo com os Estados Unidos que, segundo ela, marca “um marco histórico” nas relações bilaterais. O protocolo prevê o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com um potencial declarado de 65 bilhões de barris, a participação de operadores privados e investimentos avaliados em mais de US$100 bilhões, além de receitas fiscais estimadas em cerca de US$209 bilhões.
Rodríguez destacou que o plano deverá ampliar a produção e modernizar infraestruturas da indústria de hidrocarbonetos, hoje limitada por décadas de subinvestimento. A Venezuela tem reservas comprovadas avaliadas em 303 bilhões de barris, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA, e afirma produzir atualmente 1,23 milhão de barris por dia — patamar que, na narrativa oficial, é o maior desde 2019, mas distante do aproveitamento pleno das reservas.
O anúncio chega em um contexto politicamente sensível. O acordo foi tornado público meses depois da ação militar dos Estados Unidos que resultou no sequestro do então presidente Nicolás Maduro em janeiro de 2026 — operação que suscitou críticas do Brasil e de outros países, e que parte da imprensa internacional considerou ilegal e imprudente. A conjugação entre intervenção e negócio energético reacende suspeitas sobre articulações prévias entre Washington e Caracas e levanta questões sobre soberania, legalidade e transparência.
Para Washington, o acordo também tem dimensão interna: o presidente Donald Trump celebrou o negócio como o maior da história do petróleo, em meio à pressão por resposta aos elevados preços da gasolina e à queda das reservas estratégicas americanas. Politicamente, o protocolo abre oportunidades econômicas para a Venezuela, mas impõe desafios institucionais e reputacionais a ambos os lados — exigirá fiscalização, cronograma de investimentos reais e respostas a dúvidas sobre legitimidade, além de alterar o tabuleiro energético e diplomático do hemisfério.