Em Bruxelas, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky fez duras críticas ao acordo anunciado entre os Estados Unidos e a Rússia sobre o comércio de diesel, classificando a posição de Moscou como uma “paródia” de negociações de paz e alertando que o entendimento tende a canalizar recursos diretos ao governo de Vladimir Putin.

A declaração ocorreu durante uma cúpula da União Europeia em que os líderes do bloco se mostraram alinhados com Kiev. Zelensky saudou a possibilidade de um papel mais ativo dos aliados europeus nas conversas e enfatizou que a Rússia, segundo ele, não quer a paz — um diagnóstico que reforça a pressão sobre parceiros para compensar qualquer perda de apoio americano.

O episódio ocorre no mesmo momento em que o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que Moscou está criando uma “zona de segurança” ao longo da fronteira dentro do território ucraniano, ponto que ele considera inegociável, e quando Kiev retomou ataques contra infraestrutura energética russa após abandonar um cessar-fogo setorial anunciado por Donald Trump.

Do lado americano, Trump afirmou que não é responsável pela perda do serviço de satélites Starlink na Ucrânia e disse manter bom relacionamento com Zelensky, apesar da recriminação pública. A ofensiva retórica de Trump, somada ao acordo sobre diesel, acende alerta entre europeus e ucranianos sobre a possível redução do compartilhamento de inteligência e do fornecimento de armas por Washington.

Analistas e líderes europeus veem o entendimento como um fator que pode ampliar desgaste político para o apoio ocidental a Kiev: além de colocar dinheiro nas mãos de Moscou, o acordo envia um sinal de divisão entre aliados numa fase em que a Ucrânia depende intensamente de suprimentos e informações externas. O resultado prático pode ser pressão maior sobre a UE para preencher lacunas estratégicas, enquanto Kiev mantém postura firme diante de Washington.