Um levantamento do Instituto Sou da Paz com 56 corporações policiais revela que 28,6% das instituições no país não possuem regulação própria sobre o uso de redes sociais por seus agentes. Entre as 56 consultadas, 16 afirmaram não ter normas, duas não responderam — as PMs de Mato Grosso e Piauí — e 38 relataram alguma regulação.
Mesmo entre as corporações com regras, o estudo identifica fragilidades: normas vagas, ausência de procedimentos claros de fiscalização e falta de previsão de sanções efetivas. Orientações comuns proíbem o uso de símbolos institucionais, uniformes e exposição de custodiados, e vedam manifestações político-partidárias, mas a aplicação varia muito entre estados.
O relatório chama atenção para o risco de que agentes transformem a autoridade policial em ferramenta de autopromoção ou obtenham engajamento político às custas da atividade policial. Há padrão recorrente de apresentação do trabalho como exaltação individual, com linguagem que pode glorificar a violência e confundir imagem pessoal com imagem institucional — fenômeno que prejudica a credibilidade das corporações e a eficácia da segurança pública.
Especialistas ouvidos pelo instituto defendem que a regulação proteja as polícias da espetacularização e do uso indevido do monopólio da força. Para isso, dizem, normas precisam ser objetivas, prever mecanismos de apuração e punição e esclarecer limites entre expressão pessoal e atuação institucional. A constatação do levantamento tende a ampliar pressão por orientações nacionais mais claras e por maior transparência nas investigações internas.