Uma pesquisa do Datafolha realizada nos dias 12 e 13 de maio aponta que 71% dos trabalhadores ocupados avaliam não correr risco de demissão ou de ficar sem trabalho. Outros 9% veem alguma chance e 19% consideram o risco grande. O levantamento ouviu 1.312 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios e tem margem de erro de três pontos percentuais. Entram na conta assalariados, autônomos e empresários — desempregados e aposentados foram excluídos.

O resultado é o melhor desde março de 2013, quando o índice chegou a 75%. O atual patamar de otimismo coincide com uma taxa de desocupação historicamente baixa, perto de 6,1%, bem abaixo dos picos próximos de 15% observados na pandemia. Esse quadro, porém, carrega um sinal político e econômico: a leitura otimista do mercado de trabalho no passado recente (2010–2014) antecedeu uma das piores recessões da história recente do país, lembrança que acende alerta para gestores e agentes econômicos.

A percepção varia por grupo: o otimismo alcança 80% entre pessoas com 60 anos ou mais e 84% entre funcionários públicos, enquanto é menor (65%) entre quem recebe até dois salários mínimos (citado como R$ 3.242). Em outra pergunta da mesma pesquisa, 58% afirmaram que a possibilidade de perder o emprego não lhes causa maior medo; esse índice sobe entre os mais escolarizados (61%) e os com renda superior a 10 salários mínimos (75%) e desce para 50% entre os menos escolarizados, jovens de 16 a 24 anos e quem ganha até dois mínimos.

O ambiente favorável ao emprego já tem efeitos concretos nas negociações salariais: dados do Dieese mostram que, no 1º trimestre de 2026, 91% dos reajustes acompanhados pela entidade superaram a inflação, com ganho real médio de 1,89%. Para economistas do setor, momentos assim são incomuns e ajudam a explicar a melhora do rendimento, mas não eliminam a necessidade de vigilância sobre sustentabilidade do mercado, política econômica e responsabilidade fiscal diante de choques futuros.