Pesquisadores que mergulharam no Parcel das Paredes, na costa de Caravelas, relataram surpresa com a biodiversidade local: colônias saudáveis de corais, inclusive exemplares da Millepora alcicornis — espécie sensível ao branqueamento — e uma concentração de 14 das cerca de 21 espécies de coral conhecidas na região. O achado reforça a ideia de que trechos bem preservados de Abrolhos ainda funcionam como pontos de resiliência num cenário regional marcado pela perda de habitat.

O Parcel fica entre os limites do Parque Nacional Marinho de Abrolhos e da Reserva Extrativista do Cassurubá, dentro do Banco dos Abrolhos — um mosaico marinho de 46 mil km² que abriga recifes, berçários de peixes e a chegada de baleias-jubarte para reprodução. Apesar disso, relatórios e observações locais apontam que determinadas áreas já sofreram colapsos, como o declínio do coral-de-fogo, e que manchas de sobrepesca reduziram populações em pontos fora da proteção integral.

Diante desse quadro, ambientalistas, ICMBio e lideranças locais intensificam a mobilização pela ampliação das áreas protegidas. Moradores da Resex lembram que o parque funciona como 'útero' do mar — é nele que muitos peixes desovam e formam estoques que sustentam a pesca artesanal. A proposta de expansão busca conciliar conservação e subsistência, mas tende a provocar disputa com pescadores de grande porte e interesses ligados à exploração de recursos.

A pressão sobre Abrolhos vem também de processos minerários registrados na ANM, sobretudo para sal‑gema, e de blocos de petróleo e gás nas imediações. Pesquisas de mapeamento da biodiversidade, que levantaram centenas de espécies, servem para apontar prioridades de proteção. Resta ao poder público decidir se amplia a blindagem de berçários fundamentais à economia local ou se mantém espaço aberto a projetos que podem comprometer a recuperação ambiental e a renda das comunidades.