A prisão do advogado Daniel Monteiro, decretada pela Polícia Federal na última quinta-feira (16), amplia o foco das investigações sobre o esquema do Banco Master. Documentos da CVM obtidos pela Folha mostram que Monteiro aparece como cotista em fundos como Le Mans e Ikran, que se conectam a uma teia de veículos — entre eles Hot Plasma, Sebastian, Pegasus e Harpia — citados nas apurações sobre enriquecimento e ocultação de bens.

Segundo a PF, Monteiro teria recebido R$ 86 milhões do Master e seria peça-chave na arquitetura societária que permitiu a aquisição e ocultação de ao menos seis imóveis de alto padrão avaliados em cerca de R$ 146,5 milhões, além da participação indireta em aeronaves. A apuração também identificou ligações entre administradores dessas empresas e pessoas já apontadas em outras frentes da investigação, como Luiz Antonio Lombardi e Ana Claudia Queiroz Paiva.

A operação que prendeu Monteiro também deteve o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; mensagens apontam trocas entre Costa e Daniel Vorcaro em que o nome do advogado é citado, reforçando a investigação sobre a possível atuação de intermediários jurídicos na movimentação de recursos. A PF realizou busca e apreensão de documentos no escritório do advogado, o que pode trazer novos elementos para as investigações.

A defesa sustenta que a atuação de Monteiro foi estritamente técnica e que a prisão o surpreendeu. Independentemente da versão final, o episódio acende alerta para o papel de estruturas societárias complexas usadas na intermediação de valores e para a necessidade de transparência e responsabilização. Para autoridades e para o mercado, os desdobramentos podem significar maior pressão regulatória e desgaste institucional para envolvidos e para quem mantém relações com esses fundos.