As companhias aéreas brasileiras transportaram 33,5 milhões de passageiros no primeiro trimestre de 2026, segundo dados compilados pela Anac e divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos. O total representa avanço de 7,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, um sinal claro de recuperação da demanda após o ciclo mais fraco observado nos anos recentes.

O crescimento foi puxado sobretudo pelo tráfego internacional: os voos para o exterior somaram 8,3 milhões de passageiros no trimestre, alta de 13%. O mercado doméstico também cresceu, com 25,2 milhões de viajantes, aumento de 6%. Apenas em março foram registrados 10,6 milhões de passageiros — 8 milhões em voos domésticos e 2,6 milhões em internacionais —, com alta de 3,1% sobre março de 2025 (1,3% no doméstico e 8,9% no internacional).

O ministro Tomé Franca atribuiu parte da melhora à recuperação econômica, mas expressou preocupação com o efeito que a guerra no Irã pode ter sobre o preço do querosene de aviação. Para conter o repasse do combustível às tarifas, o governo zerou PIS/Cofins sobre o querosene (estimado em economia de cerca de R$ 0,07 por litro), autorizou o adiamento para dezembro do pagamento de taxas do Decea relativas a abril a junho e ativou operação do BNDES para financiar até R$ 2,5 bilhões na compra de combustíveis, além de abrir linha de crédito para capital de giro.

As medidas aliviam o setor num cenário de tensão externa, mas têm alcance e custo limitados: R$ 0,07 por litro é simbólico diante da volatilidade internacional, e o uso de crédito público amplia a exposição do Tesouro e do BNDES. A combinação acende um alerta sobre o custo fiscal e complica a narrativa oficial de responsabilidade fiscal, ao mesmo tempo em que mostra a dependência da aviação de intervenções estatais para segurar tarifas e fluxo de caixa. Resta ao governo equilibrar suporte com transparência sobre o impacto orçamentário e cobrar contrapartidas de eficiência do setor.