Um levantamento da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, assinado por pesquisadores do Cedeplar, do IBGE e consultoria externa, revela que apenas cerca de dois em cada dez aluguéis residenciais nas capitais são informados à Receita Federal. O estudo estima evasão de 79% nas capitais e 85% em todo o país, com valores não declarados equivalentes a, pelo menos, R$65 bilhões — algo em torno de 0,5% do PIB.
A apuração cruzou dados do Censo Demográfico e da POF, do IBGE, com a Dimob, a declaração entregue por imobiliárias à Receita. Os autores identificam explicações óbvias: apenas 21% dos contratos passam por imobiliárias formais e são capturados pela Dimob; metade dos acordos é verbal; o restante envolve intermediários informais. O índice de informalidade contratual chega a 78,5% no Brasil e 71,6% nas capitais, o que explica boa parte da diferença entre receita efetivamente recebida e declarada.
Há variação regional marcada. Manaus (99%), Boa Vista (98%) e São Luís (98%) registram os maiores percentuais de evasão; Porto Alegre aparece com o menor índice (23%). Entre grandes metrópoles, o Rio tem 82% de evasão, São Paulo e Brasília registram 75%. O estudo também aponta que, nas capitais, 56% da renda de aluguéis não aparece nas declarações; no total do país esse percentual sobe para 64%.
As consequências são claras: erosão da base tributária, perda de arrecadação e um problema de justiça fiscal, já que a propriedade e os rendimentos imobiliários concentram-se nos estratos mais ricos, enquanto os mais pobres são majoritariamente inquilinos. Como a tributação depende da soma de rendimentos no Imposto de Renda (faixas que vão de isenção para parcelas menores até 27,5%), a sonegação dificulta cálculo e fiscalização. Para o setor público, os dados acendem alerta sobre a necessidade de ampliar formalização e monitoramento — um desafio estrutural que afeta metas fiscais e a capacidade de políticas redistributivas.