A PNAD Contínua 2025, divulgada pelo IBGE, mostra que 18,9 milhões de domicílios brasileiros estavam em aluguel, o equivalente a 23,8% dos 79,3 milhões de endereços — novo recorde desde o início da série em 2016. No mesmo ano, os imóveis próprios já quitados somaram 47,8 milhões, ou 60,2% do total, a menor participação registrada.
Em termos de tendência, os lares alugados cresceram 54,1% entre 2016 e 2025 (de 12,3 milhões para 18,9 milhões), enquanto os imóveis próprios quitados aumentaram apenas 7,3% no período. A população vivendo em domicílios alugados foi estimada em 48,7 milhões (22,9% dos 212,7 milhões de habitantes); 129,8 milhões vivem em imóveis próprios quitados (61%), o menor percentual da série. Somados, os próprios quitados e os ainda em pagamento responderam por 67% dos lares, também o menor patamar da série.
O IBGE não detalha causas únicas, mas analistas do instituto observam que o crescimento de renda recente não foi suficiente para ampliar a compra da casa própria para uma parcela maior da população, empurrando famílias ao aluguel ou ao financiamento. A pesquisa aponta ainda diferenças regionais: o Distrito Federal lidera em proporção de domicílios alugados (34,5%), seguido por estados do Centro‑Oeste — reflexo de dinâmicas locais de mercado e migração por trabalho.
Os números têm impacto político e fiscal. No mesmo momento em que o presidente Lula anunciou um aporte de R$ 20 bilhões, com recursos do Fundo Social, para programas habitacionais, a PNAD reforça que o desafio é estrutural: o aumento do aluguel indica aperto no acesso ao crédito e custos reais para as famílias. O quadro acende alerta para a eficácia das medidas prometidas, a necessidade de prioridades fiscais claras e o risco de expectativas frustradas na agenda social do governo.