A avaliação do trabalho de Carlo Ancelotti à frente da seleção brasileira chega a 28% de opiniões consideradas boas ou ótimas, segundo pesquisa Datafolha — o menor índice registrado nos levantamentos realizados antes de Mundiais neste século. O número o coloca atrás de sucessores históricos: Scolari (37% em 2002 e 68% em 2014), Parreira (62% em 2006), Dunga (49% em 2010) e Tite (64% em 2018 e 47% em 2022).
Os dados apontam para uma descrença ampla na seleção: apenas 29% acreditam na conquista da Copa em 2026, também o menor percentual do século. Na mesma sondagem, 34% classificam o trabalho como regular, 12% como ruim ou péssimo e 26% não souberam opinar. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 7 e 9 de abril em 137 municípios; a margem de erro é de dois pontos percentuais.
Parte da resistência reflete também uma rejeição ao comando por um estrangeiro — embora a oposição a técnicos não brasileiros venha caindo (em junho de 2025, 31% se diziam contra, contra 52% favoráveis naquele levantamento). Internamente, no entanto, Ancelotti desfruta de prestígio na CBF: foi contratado já na reta final de um ciclo conturbado, conta com currículo internacional excepcional e tem desempenho misto em campo (cinco vitórias, dois empates e três derrotas em dez jogos).
O contraste entre a confiança dos dirigentes e o ceticismo do público tem custo político concreto para a confederação. A contratação imediata após a sucessão na presidência e a promessa de renovação contratual para o próximo ciclo blindam o técnico institucionalmente, mas os números expõem desgaste e elevam a exigência por resultados: sem vitórias expressivas no torneio, a CBF terá de lidar com pressão maior de torcida, mídia e opositores.