A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) propôs ao governo a elevação da tarifa de importação de pneus para 35%, argumentando que o Brasil enfrenta uma entrada de produtos asiáticos vendidos a valores inferiores até ao custo da matéria‑prima. A entidade sustenta que a medida representaria um nivelamento tarifário alinhado a práticas adotadas por países como México, e não um protecionismo desavergonhado.

Segundo a ANIP, a fatia de mercado dos pneus fabricados no país despencou de 73% em 2021 para 28% no início deste ano. A associação relata que a maior parte da borracha produzida internamente — cerca de 80% — é consumida pelas montadoras do setor, e que a queda na demanda deixou as 11 plantas nacionais com capacidade ociosa. Há ainda indicações de que seringueiros têm migrado para outras safras, reduzindo a oferta doméstica da matéria‑prima.

Importadores e representantes do comércio atacadista contestam a proposta, dizendo que sucessivas altas de alíquotas já pressionaram preços e que outra elevação terá repasse ao consumidor. A ABIDIP calcula que um pneu que hoje sai por R$ 500 poderia chegar a R$ 675 com a tarifa de 35%, considerando tributos indiretos e custos logísticos — cifra que equivaleria a aumento superior a 20% no bolso do comprador. A ANIP rebate que a elevação anterior para 25% não provocou aumento generalizado nos preços e que, portanto, não são esperados impactos negativos.

O debate expõe um dilema clássico entre política industrial e efeito sobre a inflação setorial. A adoção de 35% colocaria o governo diante da escolha entre proteger empregos industriais e cadeias produtivas locais ou aceitar maior pressão sobre preços e sobre a competitividade do comércio. A medida também tem potencial de repercussão diplomática e de comércio exterior: barreiras adotadas por países parceiros redirecionaram fluxos para o Brasil, segundo a associação. O caso tende a ganhar cadeira‑viva no Executivo, que precisa calibrar custo político e econômico antes de qualquer decisão.