Um estudo da consultoria econômica LCA, patrocinado pelo Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR), afirma que os gastos com apostas online somaram R$ 37 bilhões em 2025, equivalendo a 0,46% do consumo das famílias — patamar muito próximo ao observado para bebidas alcoólicas, calculado em R$ 40,5 bilhões (0,5%). O levantamento, baseado em dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) cruzados com informações do IBGE, foi apresentado esta semana em evento em Brasília e tem objetivo declarado de qualificar o debate sobre o setor.

O setor de apostas utiliza os números para rebater críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vinculou as plataformas ao aumento do endividamento das famílias. A argumentação da indústria ganha força na comparação agregada, mas esbarra em limitações técnicas do próprio trabalho: os dados não são segregados por renda ou perfil social, o que impede avaliar concentração de prejuízos entre os mais vulneráveis.

Pesquisas recentes, como a do Instituto Locomotiva, apontam outro quadro: milhões de novos apostadores em 2024 e indicadores elevados de inadimplência entre quem joga — resultados que alimentam a preocupação pública e motivaram medidas anunciadas pelo governo, como possibilidade de saque de até 20% do FGTS para quitar dívidas e mecanismos de quarentena para usuários que aderirem a programas de renegociação.

O debate agora se dá entre uma leitura que minimiza o peso das apostas na contabilidade agregada do consumo e outra que destaca riscos concentrados e efeitos sociais localizados. Politicamente, o setor buscará levar o estudo ao Planalto para reduzir pressão regulatória; por sua vez, o governo tem munição para justificar intervenções voltadas à proteção de consumidores. Os dados, portanto, não encerram a disputa — apenas a reposicionam com foco em quem, exatamente, suporta o custo das apostas.