Uma pesquisa da Reuters/Ipsos concluída na segunda-feira com 4.557 adultos mostra que a taxa de aprovação do presidente Donald Trump permanece em 36%, enquanto 62% dos americanos desaprovam seu governo. O índice ficou estável em relação ao mês anterior, mas segue nos níveis mais baixos do mandato, bem abaixo do pico de 47% registrado logo após a posse e da média de cerca de 40% observada nos meses seguintes. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.

O recuo de aprovação tem relação direta com o impacto econômico e com a guerra com o Irã, iniciada em fevereiro, que elevou os preços da gasolina e pressionou o custo de vida — a aprovação de Trump na condução desse tema é de apenas 26%. A pesquisa mostra ainda que 36% aprovam os ataques militares dos EUA contra o Irã, cifra quase idêntica à registrada em abril, e que somente 26% consideram que a ação militar compensou seus custos. Apenas 25% acreditam que os ataques tornariam o país mais seguro, com grande divisão partidária (6% entre democratas e 57% entre republicanos).

Além do efeito econômico, os comportamentos e declarações recentes do presidente ampliaram suspeitas sobre seu temperamento e clareza mental. Apenas 26% dos entrevistados consideram Trump “equilibrado”; mesmo entre republicanos há divisão (53% afirmam que sim, 46% que não). Metade dos americanos (51%) vê piora na clareza mental no último ano — incluindo 14% dos republicanos, 54% dos independentes e 85% dos democratas. As críticas públicas ao papa Leão 14, a quem 60% dos americanos têm opinião favorável, chamaram atenção e reforçaram o contraste entre a imagem do presidente e a de líderes religiosos e civis mais bem avaliados.

O retrato aponta para uma combinação perigosa de desgaste econômico e desgaste político: inflação e alta dos combustíveis corroem a base de apoio, enquanto ataques pessoais e sinais de instabilidade mental minam alianças e ampliam dúvidas até entre aliados. A pesquisa funciona como um retrato do momento — não uma previsão —, mas acende um alerta político: resta a Trump a necessidade de ajustar narrativa e ações se quiser recuperar terreno entre moderados e independentes e estancar a erosão de sua imagem pública.