A ARQ, ex‑DolarApp, anunciou no Brasil uma nova modalidade de conta global voltada a empresas (B2B). A mudança de estratégia ocorre após a fintech captar US$ 70 milhões (R$ 361 milhões) em uma rodada que teve nomes como Sequoia Capital, Founders Fund e Kaszek. A empresa, criada por três ex‑funcionários do Revolut, soma hoje cerca de 2 milhões de usuários e processa o equivalente a US$ 10 bilhões em transações anualizadas.
O serviço business surge em resposta a pedidos do segmento de varejo, segundo a companhia: clientes pessoa física buscaram soluções para pessoa jurídica, especialmente após processos de internacionalização acelerados pela pandemia. Na prática, a ARQ propõe centralizar pagamentos transfronteiriços e facilitar o controle de receitas e despesas de empresas que atuam além das fronteiras brasileiras.
Não tínhamos a intenção inicial de oferecer conta PJ no Brasil, mas a demanda dos clientes do varejo foi intensa.
Entre as funcionalidades anunciadas estão pagamentos internacionais em lote, níveis de permissão para usuários e centralização de despesas com fornecedores e custos operacionais. No varejo a ARQ já tem concorrentes globais como Wise e Nomad, além de players locais, e agora passa a disputar um mercado corporativo onde os volumes são maiores e as exigências operacionais, também.
A própria empresa admite que o Brasil tende a ser mais competitivo do que mercados como Argentina, México e Colômbia. Há ainda um desafio estrutural: o elevado nível de endividamento empresarial no país — 8,9 milhões de companhias estavam com dívidas ao fim de 2025, somando R$ 213 bilhões, segundo o Serasa Experian —, o que pode complicar ofertas de crédito e aumentar o risco comercial para quem amplia serviços financeiros empresariais.
A estratégia inicial da ARQ é mirar clientes de alta renda dentro do universo PJ, um segmento exigente e difícil de fidelizar, mas que tende a demandar serviços internacionais com frequência. A aposta é que eficiência operacional e produto competitivo, com taxas alinhadas ao mercado, serão determinantes para ganhar espaço frente a concorrentes estabelecidos.
O mercado corporativo aqui será mais competitivo do que em outros países; nossa aposta é ganhar por eficiência operacional.