Apesar de seu objetivo principal ter sido validar sistemas e abrir caminho para voos tripulados futuros, a Artemis 2 gerou um volume inesperado de material científico: durante o sobrevoo lunar de 6 de abril a equipe a bordo da cápsula Orion e a equipe em terra reuniram mais de 7.000 imagens da superfície e do eclipse solar observado na trajetória.

O trabalho não foi amador. Antes do encontro com a superfície lunar, o centro de controle enviou uma lista com 30 alvos prioritários para registros, que incluíam bacias e formações de interesse para missões subsequentes. A missão embarcou 32 câmeras — entre elas equipamentos fotográficos profissionais e câmeras de ação — e a Nasa afirma que uma equipe de dezenas de cientistas já começou a processar o material, com um relatório preliminar previsto para ser divulgado em até seis meses.

O sul lunar voltou a atrair atenção: a bacia Polo Sul‑Aitken, no lado oculto, foi registrada durante o sobrevoo. Conhecida por ser a maior cratera do Sistema Solar, com cerca de 10 km de profundidade, a região desperta interesse por áreas permanentemente sombreadas que aumentam a chance de depósitos de gelo e por potenciais reservas de hélio‑3, cuja presença poderia ter implicações tecnológicas e estratégicas para futuras missões.

Além dos mapas e das medições, especialistas destacam o valor das percepções humanas: a iluminação lateral próxima ao terminador deu aos astronautas sensação de relevo 3D e permitiu notar variações de cor que nem sempre são captadas por sondas remotas. Esses relatos e imagens devem complementar dados orbitais e telescópicos, influenciando a escolha de alvos para pousos, estudos sobre composição e a compreensão da história geológica da Lua — ainda que as conclusões dependam da análise detalhada que está em curso.