Mais de mil roteiristas, atores e diretores — entre eles nomes como Bryan Cranston, Joaquin Phoenix, Kristen Stewart e David Fincher — divulgaram uma carta pública nesta segunda-feira pedindo que autoridades revisem com rigor a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount. O negócio, anunciado no fim de fevereiro por US$111 bilhões, ainda depende da aprovação regulatória e tem conclusão prevista para 2026.

No documento, os signatários afirmam que a concentração entre dois grandes grupos pode reduzir claramente as oportunidades para criadores, cortar vagas em toda a cadeia de produção e limitar a variedade de títulos disponíveis ao público. A carta também registra preocupação com a queda no número de filmes financiados e lançados nos últimos anos e com o fato de que poucas empresas passariam a decidir que projetos recebem recursos.

Organizada por grupos de defesa de profissionais do setor — incluindo o Comitê da Primeira Emenda e a Future Film Coalition — a iniciativa ganha respaldo público de representantes do mercado. Michael O’Leary, da Cinema United, advertiu sobre risco de fechamento de salas; por sua vez, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, declarou não acreditar que a análise governamental será feita com a devida rigidez. Alemanha e Eslovênia já aprovaram o acordo, segundo as empresas.

Além do debate cultural, a carta aumenta a pressão política e regulatória sobre a operação. A promessa da Paramount de lançar ao menos 30 filmes por ano não dissipa o receio de menores caminhos viáveis para filmes independentes nem reduz o risco econômico para exibidores e produtores. O documento sinaliza resistência da indústria e pode influenciar condições mais duras na tramitação antitruste do negócio.