Três homens em motocicletas, vestidos como entregadores, abordaram uma mulher na entrada do condomínio onde mora, no Alto da Lapa, zona oeste de São Paulo, na noite de quarta-feira (8). A vítima, que preferiu não se identificar, falava ao telefone quando foi surpreendida por um dos ocupantes, que mostrou uma arma e exigiu o celular e a aliança.
Câmeras de segurança do prédio registraram a ação: um dos suspeitos estaciona em frente ao portão, com capacete e a sacola de entrega às costas, e aponta o revólver à vítima. Segundo relatos, um segundo assaltante anotou a senha do aparelho antes da subtração. O caso foi divulgado inicialmente pelo site Metrópoles.
Os dados oficiais publicados para o primeiro bimestre de 2026 mostram queda nos registros: no estado, os roubos recuaram de 30.180 para 23.719 ocorrências (redução de 21%); na capital, foram 14.870 registros, 15% a menos. A secretaria de Segurança destacou também uma redução de 20% nos roubos de celular — 8.430 casos ante 10.587 em 2025 — e atribuiu os números ao aumento do policiamento e a operações da Polícia Civil.
Ainda que os indicadores apontem melhora, episódios como o do Alto da Lapa revelam um problema persistente: táticas organizadas que exploram a crescente circulação de entregadores e a vulnerabilidade em acessos a prédios. O fato tem efeito político e institucional: reforça a necessidade de medidas específicas — controle de credenciais de entregas, foco nas quadrilhas que abastecem o mercado ilegal de aparelhos e manutenção de operações policiais — e acende um sinal de alerta que complica a narrativa oficial sobre redução da criminalidade se a percepção de insegurança seguir intacta.