A pesquisa Atlas/Intel divulgada nesta terça-feira confirma um recuo relevante na intenção de votos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no cenário de segundo turno contra o presidente Lula (PT). Entre os dias 13 e 18 de maio, período que abrange a divulgação dos áudios em que Flávio conversa com o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, o levantamento aponta 41,8% para o senador e 48,9% para Lula — uma oscilação que se traduz em perda de 6 pontos na comparação com a rodada anterior, quando os dois apareciam tecnicamente empatados.

O levantamento, realizado com 5.032 entrevistados pelo método Atlas RDR e registrado no TSE sob o número BR-06939/2026, tem margem de erro de 1 ponto percentual e 95% de confiança. A pesquisa também mostra que votos brancos, nulos e indecisos somam 9,3%, um contingente que ainda pode ser decisivo em disputa apertada. No campo da rejeição, o dado mais sensível para a campanha do PL: 52% dos entrevistados disseram que não votariam de jeito nenhum em Flávio, contra 50,6% que rejeitam Lula — inversão que expõe desgaste imediato do nome do senador após a repercussão das conversas com Vorcaro.

Além do confronto direto, o levantamento apresenta sinais sobre a avaliação governamental: a desaprovação de Lula recuou de 51% em abril para 48,4% em maio, enquanto a aprovação se mantém praticamente estável (47% para 47,4%). A oscilação negativa na avaliação do governo é pequena, mas suficiente para indicar que, embora Lula mantenha vantagem no segundo turno, há movimento de reação na percepção pública que pode beneficiar ou penalizar ambos os lados dependendo do desenrolar das próximas semanas.

Politicamente, o resultado acende um alerta para o PL e para a coordenação da campanha de Flávio: a combinação entre perda de intenção de voto e aumento da rejeição exige resposta rápida em mensagens, mobilização e gestão de crise para evitar contaminação em outros palanques. Para a oposição, a pesquisa reforça a importância de capitalizar erros do rival sem subestimar a robustez relativa da avaliação presidencial. Em síntese, o levantamento não dá cenário imutável, mas complica a narrativa do PL e amplia a necessidade de ajustes estratégicos na corrida para 2026.