Áudios obtidos pela Polícia Federal e exibidos no Fantástico reforçam as suspeitas sobre o envolvimento do funkeiro MC Ryan em um suposto esquema de lavagem de dinheiro que, segundo a investigação, movimentou mais de R$ 1,63 bilhão. As gravações mostram negociações diretas sobre valores e orientações sobre como estruturar entradas e saídas de recursos, o que levou a PF a sustentar que o artista teria ciência de parte das operações. A apuração é conduzida na 5.ª Vara Federal de Santos e integra a operação batizada como Narco Fluxo.

Nos trechos divulgados, há diálogos entre o cantor e o contador Rodrigo Morgado — preso desde 2025 — que mencionam acordos financeiros e a contratação de divulgação de casas de aposta, além de instruções para evitar rastreamento dos bens. Investigadores afirmam que empresas de fachada, contratos de shows e movimentações ligadas a intermediários foram usados para mascarar a origem dos recursos e reinseri-los na economia formal por meio da compra de imóveis, veículos e outros ativos de alto valor.

A operação também prendeu o cantor MC Poze do Rodo e deteve mais de 30 investigados, além de alcançar Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, apontado como operador de mídia que recebia pagamentos pelo serviço de promoção de apostas. A defesa de MC Ryan, representada pelo advogado Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, afirma não ter tido acesso ao procedimento e sustenta que todos os valores que transitam pelas contas do artista são lícitos e devidamente comprovados, com recolhimento de tributos.

Além do aspecto criminal, as revelações expõem riscos reputacionais e fragilidades de um ecossistema em que celebridades, influenciadores e páginas de entretenimento podem ser utilizadas para dar aparente legitimidade a atividades ilegais. Para autoridades e para o mercado cultural, o caso impõe a necessidade de maior transparência fiscal e controles mais rígidos sobre contratos e patrocínios, enquanto a investigação segue reunindo provas e confrontando depoimentos e registros financeiros.