A bancada do PT na Câmara anunciou que vai articular a defesa de um orçamento mínimo para financiar o Susp (Sistema Único da Segurança Pública), com a proposta de vincular parte da Receita Corrente Líquida (RCL) a ações de combate ao crime. A iniciativa é apresentada como forma de fortalecer a atuação federal e permitir a criação de um Ministério da Segurança Pública, hoje sob coordenação do Ministério da Justiça.
Os líderes petistas relacionam a nova proposta à recente aprovação da PEC do Suas, que reservou 1% da RCL para assistência social, e defendem modelo similar para a segurança. O líder do PT, Pedro Uczai (SC), afirmou que a vinculação orçamentária daria previsibilidade a programas de investigação, inteligência e tecnologia e que esse movimento reforça a resposta do governo às cobranças sobre violência e crime organizado.
Na agenda legislativa, a discussão sobre a medida deve avançar com a PEC da Segurança, já aprovada na Câmara e com previsão, segundo Uczai, de votação no Senado em até 15 dias. O PT e o Planalto avaliam que a garantia de recursos é pré‑requisito para qualquer mudança institucional: o governo disse avaliar se cria um ministério independente ou instala secretarias especializadas dentro do Ministério da Justiça para enfrentar milícias, crime organizado e questões como feminicídio.
A proposta tem impacto político e institucional claro: amplia a presença federal em área hoje majoritariamente estadual e busca resposta visível a um tema que corrói a avaliação presidencial. Ao mesmo tempo, a criação de um ministério é vista como complexa — exige estrutura, custo e negociação política — e pode enfrentar resistência. Se aprovada, a PEC também constitucionaliza o Susp, amplia mecanismos de cooperação federativa e expande atribuições da Polícia Federal para investigar grupos com repercussão interestadual ou internacional.