Dois dos maiores rivais do primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu — o direitista Naftali Bennett e o centrista Yair Lapid — formalizaram neste domingo a união de seus partidos em uma nova legenda chamada Juntos. Em coletiva conjunta, Lapid afirmou que a iniciativa é “pelo bem de nossos filhos” e Bennett se colocou como líder do novo agrupamento. A movimentação mira diretamente a disputa cuja eleição deve ocorrer ainda este ano e busca converter descontentamento em maioria parlamentar.

A aliança repete, em nova versão, a tática que já derrubou Netanyahu em 2021, quando uma coalizão heterogênea e de maioria estreita governou por 18 meses. Pesquisas recentes reforçam a possibilidade de um recuo do primeiro‑ministro: levantamento da N12 apontou 25 cadeiras para o Likud, 21 para o partido de Bennett e apenas sete para Yesh Atid; no somatório das bancadas, a coalizão de partidos de direita e religiosos chegava a cerca de 50 deputados, contra pelo menos 60 para a provável frente de Bennett e Lapid, segundo o mesmo estudo.

O anúncio acirra o jogo político e complica a narrativa de segurança que Netanyahu vinha usando para se consolidar, depois que os efeitos do ataque do Hamas em 2023 abalaram suas credenciais. Ainda assim, o primeiro‑ministro mostrou capacidade de resistência e reagiu politicamente, lembrando a fragilidade da coalizão anterior. Bennett, por sua vez, procura se descolar da tática de 2021: disse que não buscará novo acordo com partidos árabes e negou concessões territoriais, tentativa clara de ampliar apelo ao eleitorado de direita sem abandonar o voto de centro.

A aliança enfrenta desafios óbvios. A soma de forças melhora a matemática eleitoral, mas as divergências ideológicas entre um líder de direita e um centrista já provaram sua dificuldade de convivência. Para transformar vantagem em governo estável, Juntos terá de apresentar programa crível em segurança e economia e resistir a pressões de facções menores. Politicamente, o movimento redesenha o tabuleiro: amplia a pressão sobre Netanyahu, força realinhamentos e aumenta a incerteza sobre a formação de uma coalizão estável após a votação.