Pesquisas realizadas pelos institutos Datafolha e Quaest na segunda quinzena de agosto traçam um mapa de largada que favorece o bolsonarismo em âmbito estadual: nomes apoiados por Flávio Bolsonaro aparecem na liderança isolada em sete estados e no Distrito Federal. O campo do presidente Lula tem candidatos à frente em cinco estados, além de quatro aliados em empate técnico. Ainda assim, a polarização nacional não se reproduz de maneira uniforme: em pelo menos sete unidades líderes se apresentam neutros em relação à disputa presidencial.

A neutralidade calculada tem sido uma tática visível no Nordeste e em outros Estados onde o alinhamento nacional pesa negativamente. Em Pernambuco, por exemplo, a governadora Raquel Lyra adotou um discurso localista e, segundo Datafolha de 21 de agosto, abriu vantagem — 47% a 40% sobre o rival João Campos — após sair da disputa mais atrás no primeiro semestre. Casos como o de Ciro Gomes no Ceará, que evita apoiar presidenciável apesar de aliança formal, e lideranças locais que se declaram apartidárias mostram que a estratégia de dissociação da polarização pode ser eleitoralmente eficaz.

No campo conservador, nomes apontados como favoritos a uma vitória já no primeiro turno aparecem em grandes colégios eleitorais: Tarcísio de Freitas em São Paulo, Jorginho Mello em Santa Catarina e Eduardo Riedel em Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso, líderes como Wellington Fagundes (PL) e Otaviano Pivetta (Republicanos) aparecem em empate técnico e dividem o eleitorado conservador — ambos já anunciaram apoio a Flávio Bolsonaro. No Acre, o senador Alan Rick lidera com palanques múltiplos pró-Flávio; no Rio de Janeiro, o Datafolha mostra Eduardo Paes com 41% contra 19% de Douglas Ruas, evidenciando um dos principais redutos onde um aliado de Lula está isolado na frente. Amazonas e Rio Grande do Sul apresentam dinâmicas competitivas e campos fragmentados.

O diagnóstico dos levantamentos tem implicações políticas claras. A vantagem inicial de candidatos ligados ao bolsonarismo acende alerta para a capacidade do grupo de converter influência nacional em vitórias estaduais, enquanto a proliferação de candidaturas neutras complica a tentativa de reproduzir uma disputa presidencializada em todos os Estados. Para o governo, os números ampliam a necessidade de reforçar alianças locais e cuidar de desgaste político que já se manifesta em pontos estratégicos. Para a oposição e as próprias candidaturas neutras, o quadro indica que convicções locais e gestão regional poderão sobrepor-se, novamente, à polarização nacional. Os levantamentos são retratos do momento e não previsão definitiva, mas já orientam ajustes de campanha e montagem de palanques.