A três semanas do primeiro turno, 2% dos eleitores disseram, espontaneamente, que votariam no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta. O resultado vale mesmo com o líder político preso e declarado inelegível; o levantamento foi feito entre 8 e 10 de setembro com cerca de 2 mil entrevistados maiores de 16 anos em 125 cidades.
Na pergunta espontânea, em que os nomes não são apresentados, Bolsonaro aparece igual a Renan Santos (Missão) e à frente do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), lembrado por 1%. O ex-governador Romeu Zema (Novo) não foi citado. O presidente Lula (PT) foi lembrado por 33% (ante 31% na rodada anterior), enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) subiu para 25% (de 22%). O escritor Augusto Cury (Avante) caiu para 3% (de 5%).
O desempenho de Bolsonaro na espontânea vem oscilando entre 2% e 3% desde março, muito longe dos 17% registrados em julho do ano passado —quando já havia sido declarado inelegível pelo TSE. Em setembro, o ex-presidente foi condenado pelo STF a 27 anos de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
O dado reforça duas leituras: há resiliência de uma pequena, porém estável, parcela do eleitorado que ainda o menciona, e há sinais de transferência ou consolidação de parte desse eleitorado em nomes associados ao clã Bolsonaro, como indica a alta de Flávio. A pesquisa oferece um retrato do momento, não uma previsão definitiva, mas acende alerta para campanhas e partidos sobre a persistência de núcleos de apoio e as dinâmicas de deslocamento de voto a poucas semanas da eleição.