O Brasil e Cabo Verde formalizaram esta semana um memorando de cooperação cultural que amplia ações conjuntas em audiovisual, artes visuais, museus, literatura e economia criativa. A ministra Margareth Menezes e o titular cabo-verdiano Augusto Veiga criaram um grupo de trabalho para consolidar iniciativas existentes e propor novas agendas técnicas, incluindo digitalização de arquivos e incentivos a coproduções cinematográficas.

O pacto tem potencial diplomático e econômico: troca de know-how em políticas de fomento, como a experiência brasileira com a Lei Rouanet, pode beneficiar a preservação do patrimônio e a profissionalização de cadeias produtivas em Cabo Verde. Para o lado brasileiro, a cooperação reforça presença cultural na CPLP e abre mercados para produções nacionais em língua portuguesa.

Mas a promessa esbarra em desafios práticos. A efetividade dependerá da rapidez na implementação do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, da capacidade de prestação de contas e de dados para avaliar retornos econômicos, e de incentivos claros para coproduções. A ministra citou a volta dos voos diretos como fator decisivo — uma limitação logística que pode atrasar projetos e aumentar custos.

A iniciativa é positiva na retórica e nas visitas a equipamentos culturais locais, como a Cesária Évora Academia de Artes e o Centro Nacional de Arte. Ainda assim, o memorando será um termômetro realista apenas se traduzido em programas com calendário, fontes de financiamento transparentes e mecanismos de avaliação. Sem isso, corre o risco de permanecer mais simbólico do que transformador para os setores culturais de ambos os países.