A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) 2025, divulgada pelo IBGE, confirma uma tendência que vinha se desenhando: a população brasileira envelhece e cresce cada vez menos. Em 2025 o país tinha 212,7 milhões de residentes, alta de 0,39% ante 2024 — taxa que permanece abaixo de 0,6% desde 2021. A pirâmide etária mudou: a fatia até 39 anos encolheu 6,1% desde 2012, enquanto faixas de 40 a 49, 50 a 59 e 60 anos ou mais avançaram, sendo os 60+ de 11,3% para 16,6%.
As diferenças regionais seguem marcantes e com implicações políticas. Norte e Nordeste concentram os maiores percentuais de crianças (até 13 anos), enquanto Sudeste e Sul têm as maiores proporções de idosos. Houve também recomposição da autodeclaração de cor ou raça: a parcela de quem se declara branca caiu (46,4% para 42,6% desde 2012) e a de pretos aumentou (7,4% para 10,4%). O Norte registrou o maior crescimento da população preta; o Sul ampliou a presença de pardos e reduziu a autodeclaração branca.
Mudanças nos arranjos domiciliares e nas condições de moradia acompanham a transição demográfica. Domicílios unipessoais subiram para 19,7% em 2025 — eram 12,2% em 2012 — enquanto o arranjo nuclear recuou para 65,6%. A composição por gênero e idade varia: homens que moram sozinhos concentram-se entre 30 e 59 anos; mulheres, majoritariamente, têm 60 anos ou mais. Cresceu a parcela de imóveis alugados (23,8%) e diminuiu a de imóveis próprios quitados (60,2%). Casas ainda predominam (82,7%), mas apartamentos avançam.
Os indicadores de infraestrutura apontam avanços, mas evidenciam desigualdades: 86,1% dos domicílios têm água de rede geral, com apenas 31,7% nas áreas rurais; o Norte tem 60,9% de abastecimento por rede e uso expressivo de poços. O saneamento alcança 71,4% do país, mas cai para 30,6% no Norte. Esses contrastes têm efeito direto sobre saúde, custos públicos e qualidade de vida. Do ponto de vista fiscal e de políticas públicas, o envelhecimento combinado à distribuição assimétrica da infraestrutura acende um alerta: há necessidade de planejamento previdenciário, ajustes em serviços de saúde e investimentos regionais para evitar aumento de despesa social e perda de eficiência no gasto público.