A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), usou reunião com deputados distritais na última quarta-feira para reclamar das pressões pela privatização do Banco de Brasília (BRB) e reafirmar que tentará impedir a venda. Segundo relatos do encontro, ela disse que fará o que estiver ao alcance para salvar o banco e mencionou que o BTG Pactual teria demonstrado interesse pelo ativo.

O quadro do BRB se agravou nos últimos meses após a compra de carteiras do banco Master, que se revelaram majoritariamente fraudulentas. O rombo declarado supera R$6 bilhões, e a hipótese de federalização chegou a ser discutida nos bastidores — mas foi descartada pelo governo federal, segundo apuração. Integrantes do BRB reconhecem empenho de Celina na busca por solução, ao mesmo tempo em que aliados ressaltam que ela não conduziu as negociações com o Master.

O caso tem consequências políticas imediatas. Nos bastidores, fontes ligadas ao governo distrital dizem que, se o rombo não for coberto por mecanismos claros de recapitalização, a governadora pode pagar um preço eleitoral nas próximas urnas. A combinação entre prejuízo contábil, rumores de interesse do mercado e a exclusão da federalização deixa o Executivo local com poucas opções, o que acende alerta e amplia desgaste político.

Do ponto de vista administrativo e fiscal, o episódio complica a narrativa oficial sobre responsabilidade e gestão. A definição de quem assumirá o custo, os prazos para recapitalização e a exigência de transparência viram pontos centrais da disputa — e prometem ser temas de pressão no Congresso distrital e no debate público até que seja apresentada uma solução definida.