A governadora Celina Leão (PP), 49, foi reeleita para o Governo do Distrito Federal, projeta o Datafolha com 88,6% das urnas apuradas: 57,30% dos votos válidos contra 42,70% de Leandro Grass (PT). A confirmação da vitória, feita pelo instituto a partir dos dados do TSE, encerra um segundo turno competitivo, mas não elimina riscos políticos para a nova gestão.

Celina disputou o cargo pela primeira vez após ter sido vice de Ibaneis Rocha e assumir o governo em 2023. No segundo turno, a candidata contou com o apoio de lideranças da direita do DF, como Michelle Bolsonaro, Bia Kicis, Damares Alves e o apoio informal de Flávio Bolsonaro, que ajudaram a consolidar sua virada sobre Grass, que havia avançado com 34,47% no primeiro turno.

O triunfo, porém, chega acompanhado de questões concretas: a governadora assume o mandato até 2030 com a crise do BRB ainda aberta. A tentativa frustrada de compra do Banco Master e a busca por empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC para recompor o caixa do banco colocam a gestão em um patamar de vulnerabilidade fiscal e de imagem. Acusações de Daniel Vorcaro de que Celina "não ficou de fora" das discussões sobre a operação aumentam o custo político, mesmo com a negação da governadora.

A eleição também foi marcada por um episódio atípico: a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de prorrogar por duas horas a votação no país, emitida pouco após as 17h, gerou confusão entre mesários e presidentes de seção — um movimento inédito que tensionou a reta final do pleito. Além disso, a retirada da candidatura de José Roberto Arruda por condenações em operação anterior alterou o tabuleiro do primeiro turno, beneficiando candidaturas como a de Celina.

Em termos práticos, a projeção do Datafolha consolida a vitória no DF, mas acende um alerta sobre a necessidade de respostas rápidas para a crise financeira do BRB e sobre o risco de desgaste contínuo da base política. A gestão reeleita terá de equacionar dificuldades fiscais e expectativas de aliados e opositores, sob maior escrutínio público e judicial.