Após décadas de pavimentos irregulares e remendos que dificultavam a circulação, o centro antigo de São Paulo passa por uma das maiores intervenções de calçamento dos últimos anos. A prefeitura anunciou a readequação de 100 mil m² — cerca de 15 quarteirões — com investimento de R$ 120 milhões, abrangendo 35 ruas ao redor da Praça da República e do Pateo do Collegio, com entrega prevista até meados de 2027.

Parte do miolo já tem trechos previstos para entrega em junho, mas a obra enfrenta desafios técnicos e de preservação: entradas de prédios tombados não podem ser alteradas, o que obrigou a elevar o nível do novo piso para manter soleiras históricas. Trilhos do bonde e faixas de mosaico português em bom estado foram preservados; pedras portuguesas danificadas estão sendo retiradas e encaminhadas para britagem, segundo a SPUrbanismo.

A intervenção inclui instalação de piso de orientação para pessoas com deficiência visual, centralização do escoamento de água e redução de tampas e buracos que hoje concentravam acúmulo. Especialistas ouvidas pelo projeto ressaltam o ganho de mobilidade: para cadeirantes e pedestres com mobilidade reduzida, a diferença é prática, embora venha muito depois da vigência da Lei da Acessibilidade, que completa mais de 25 anos.

O conjunto de obras tem potencial para devolver fluxo e comércio ao centro plano, mas também evidencia o custo político e urbano da negligência anterior. Além de concluir os trabalhos dentro do prazo e do orçamento, a prefeitura terá de garantir manutenção contínua para que a requalificação não se repita como novo remendo em poucos anos.