Ao ordenar a campanha contra o Irã, Binyamin Netanyahu vendeu a ideia de um golpe capaz de alterar dramaticamente o equilíbrio regional e fortalecer sua posição interna antes das eleições marcadas para este ano. A trégua anunciada por Donald Trump cinco semanas depois, porém, interrompeu o ímpeto militar sem que Teerã tivesse suas principais capacidades eliminadas ou suas precondições atendidas — cenário que dilui a narrativa de vitória que o premiê tentou construir.
A primeira pesquisa de opinião divulgada após o cessar‑fogo pintou um quadro problemático para Netanyahu: 63% dos israelenses avaliaram negativamente os resultados da campanha e menos da metade aprovou o desempenho do premiê. O contraste entre expectativas e resultados aparece também em levantamentos do Instituto de Estudos de Segurança Nacional: na abertura dos combates 69% esperavam que a ação enfraquecesse significativamente o Irã; em pesquisa posterior esse número caiu para 43,5%. A população entrou no conflito com expectativa alta — pesquisas apontavam apoio superior a 80% — e agora sente que o custo não foi compensado por ganhos claros.
A reação política foi imediata e transversal. O principal bloco de oposição aproveitou para reforçar o argumento de que a força militar, sem estratégia diplomática eficaz, não proporciona vitórias decisivas. Figuras próximas ao premiê demonstraram frustração pública e, em alguns casos, retrataram insegurança sobre os desdobramentos do acordo. Esse desgaste tem efeito direto na capacidade de Netanyahu de ‘vender’ ao eleitorado um resultado palpável capaz de reverter anos de perda de terreno nas pesquisas — sua coalizão vem atrás da oposição há mais de dois anos.
Do ponto de vista eleitoral, o cessar‑fogo muda a equação: reduz o capital político que o governo poderia capitalizar com uma vitória clara e aumenta a exigência de resultados concretos em outras frentes. Não se trata de uma sentença definitiva — pesquisas são retratos momentâneos —, mas os números já funcionam como indicador de pressão sobre a estratégia do premiê e sobre a narrativa de segurança que vinha conduzindo sua campanha. A tarefa agora é transformar limitações militares e diplomáticas em proposta crível para o eleitor, sob maior escrutínio público.