O gesto de levar champanhe para o vestiário adversário, no intervalo da final do Pan-Americano de 1987, virou combustível. Com a seleção brasileira perdendo por 68 a 54, a visão das garrafas serviu de estopim para que a equipe mudasse a postura e buscasse uma reação que terminou em triunfo histórico em Indianápolis.

Sob comando de Ary Vidal e do auxiliar José Medalha, o recado era claro: jogar com descontração e, ao mesmo tempo, fazer o máximo para calar a Market Square Arena. Oscar Schmidt, que somara apenas 11 pontos no primeiro tempo, explodiu na etapa final e terminou com 46 pontos — principal motor do 120 a 115 que ficou marcado como a maior glória de sua carreira.

A derrota teve ingredientes que reforçam o impacto do resultado: a equipe americana era formada por universitários, com nomes como Rex Chapman e o pivô David Robinson, e o técnico Denny Crum chegou a não se lembrar do nome do camisa 14 do Brasil antes da partida. Brasileiros como Marcel, Guerrinha e Gérson lembram que o time apostou na pressão e na provocação para desconcertar os anfitriões.

O episódio também teve consequências além da festa brasileira. O tropeço americano em Indianápolis, somado ao revés nos Jogos Olímpicos de Seul em 1988, obrigou os Estados Unidos a repensar sua seleção. A pressão levou à decisão de liberar jogadores da NBA para disputas internacionais — uma mudança aprovada pela FIBA em 1989 e que alterou profundamente a dinâmica do basquete mundial.

Para Oscar, que morreu recentemente aos 68 anos, aquele dia em 23 de agosto de 1987 permaneceu como referência: vencer em casa do rival, numa partida tão aberta e com tanta pressão, foi descrito por ele como a maior alegria da carreira. Mais do que um jogo, a vitória deixou legado esportivo e simbólico para o basquete brasileiro.